Mourão diz que há 'boa chance' de governo anunciar em breve responsável por derramamento de óleo

Publicado em 31/10/2019 às 09:46h

Agentes limpam óleo na Praia da Pituba, em Salvador Foto: Luca Castro/Fotoarena/Agência O Globo

BRASÍLIA — O presidente em exercício Hamilton Mourão afirmou nesta quarta-feira que existe uma "boa chance" de o governo federal anunciar ainda nesta semana o navio responsável pelo derramamento de óleo que atingiu o Nordeste. De acordo com Mourão, o objetivo é que o presidente Jair Bolsonaro , que retorna na quinta-feira de uma viagem internacional, faça o anúncio.

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Mourão se reuniu na tarde desta quarta com o comandante da Marinha , almirante de esquadra Ilques Barbosa, que passou uma atualização das investigações.

— Conversamos sobre a situação do óleo, e a nossa investigação está chegando lá. Está chegando perto. Estamos aguardando o presidente chegar — disse Mourão, ao deixar o Palácio do Planalto, acrescentando depois: — Será uma notícia boa. A gente sempre aprende nos quarteis o seguinte: notícia boa é o comandante que dá, notícias ruins é o subcomandante. É assim que funciona.

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Questionado sobre a chance de se fazer o anúncio ainda nesta semana, respondeu que há "uma boa chance". O presidente em exercício ainda explicou que acredita que o derramamento ocorreu durante o que chamou de "injeção de porão":

— Acho que o cara fez uma injeção de porão, pela quantidade de óleo que foi lançada. Acho. Ele tira um pouco do óleo. Por exemplo, está com um problema de flutuação, de balanço e tira um pouco do óleo para aumentar a estabilidade.

Mais cedo, após deixar a reunião, o comandante da Marinha foi mais cauteloso. Ilques Barbosa disse que a investigação está focada em dez navios, mas ressaltou que nenhuma hipótese pode ser eliminada.

— A partir do momento em que vamos abrir um inquérito, no âmbito da Polícia Federal, um inquérito no âmbito da Marinha, que se interagem constantemente com instituições estrangeiras, não se pode dizer "essa linha do dark ship foi abandonada, não foi". Estamos com um amplo espectro. Uma tem mais probabilidade, (que) é a de ser um navio mercante que passou pela nossa costa.

Voluntários carregam bolsa com óleo bruto derramado na praia de Pocas em Conde, Bahia Foto: Mateus Morbeck / AFP

Voluntarios se protegem com luvas de uso doméstico para retirar óleo derramado na praia de Pocas, na cidade de Conde, Bahia Foto: Mateus Morbeck / AFP

Um voluntário remove petróleo derramado na praia de Janga, em Paulista, Pernambuco Foto: Leo Malafaia / AFP - 23/10/2019

Óleo seco é armazenado em grandes bolsas por pescaddor da comunidade de Pocas, no município de Conde, Bahia Foto: Mateus Morbeck / AFP

Um menino sai do mar enquanto remove resíduos de óleo derramado na praia de Itapuama, na cidade de Cabo de Santo Agostinho, Pernambuco. Grandes gotas de óleo que mancham mais de 130 praias no nordeste do Brasil começaram a aparecer no início de setembro e, agora, em um trecho de 2.000 km da costa atlântica Foto: Leo Malafaia / AFP - 21/10/2019

Voluntários removem resíduos de óleo na praia de Jauá, na cidade de Camaçari, Bahia. Origem do material permanece um mistério para pesquisadores e autoridades Foto: Mateus Morbeck / AFP - 17/10/2019

Pescadores ajudam a remover o petróleo derramado na praia de Janga, em Paulista, Pernambuco Foto: Leo Malafaia / AFP - 23/10/2019

Voluntários trabalham na remoção de pretróleo da praia de Janga Foto: Leo Malafaia / AFP - 23/10/2019

Um pescador é visto em uma rocha coberta de petróleo na praia de Pedra do Sal, em Salvador, Bahia Foto: Antonello Veneri / AFP - 23/10/2019

Funcionários municipais removem petróleo derramado na praia de Pedra do Sal, na Bahia Foto: Antonello Veneri / AFP - 23/10/2019

Funcionários municipais removem petróleo derramado na praia de Pedra do Sal, na Bahia Foto: Lucas Landau / Reuters - 23/10/2019

Mancha de óleo na praia de Pedra do Sal, no bairro de Itapuã, Salvador Foto: Lucas Landau / Reuters - 23/10/2019

Resíduos de óleo na praia de Pedra do Sal, no bairro de Itapuã, Salvador Foto: Lucas Landau / Reuters - 23/10/2019

Funcionários municipais removem petróleo derramado na praia de Pedra do Sal, na Bahia Foto: Lucas Landau / Reuters - 23/10/2019

Funcionários municipais removem petróleo derramado na praia de Pedra do Sal, na Bahia Foto: Lucas Landau / Reuters - 23/10/2019

Funcionários municipais removem petróleo derramado na praia de Pedra do Sal, na Bahia Foto: Lucas Landau / Reuters - 23/10/2019

Voluntários removem resíduos de óleo na praia do Paiva, na cidade de Cabo de Santo Agostinho, Pernambuco Foto: Leo Malafaia / AFP - 21/10/2019

Trabalhadores fazem a limpeza da praia de Peroba, localizada na cidade de Maragogi, no estado de Alagoas Foto: HO / AFP - 17/10/2019

Peixes nadam ao lado de óleo derramado nas águas da praia da Pedra do Sal, localizada na cidade de Salvador, Bahia Foto: Mateus Morbeck / AFP - 18/10/2019

Óleo derramado na praia de Peroba, no estado de Alagoas Foto: HO / AFP - 17/10/2019

Nesta quarta-feira, o Grupo de Avaliação e Acompanhamento (GAA), formado por Marinha, Ibama e Agência Nacional de Petróleo (ANP), informou que já recolheu mais de 2 mil toneladas de resíduos de óleos no litoral nordestino. Ainda segundo o GAA, todas as praias do Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Paraíba estão limpas.

Os estragos ao meio ambiente, porém, são visíveis. O GLOBO teve acesso ao laudo de necrópsia de uma tartaruga-oliva encontrada em Jericoacoara, no Ceará, na manhã de 24 de setembro. O petróleo penetrou a carcaça, atingindo a traqueia, o esôfago e o intestino do animal, misturando-se às suas fezes. De sua contaminação à morte, passaram-se apenas dez dias.

Fonte: O Globo


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