Onyx acena com cargos do MEC para base aliada

Publicado em 14/03/2019 às 11:41h

O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni / Foto: Estadão

O desgaste do ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, passou a ser considerado pelo governo como uma oportunidade para assegurar apoio no Congresso à reforma da Previdência. O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, tem dito que os postos do MEC poderiam acalmar os ânimos e abrir caminho entre parlamentares. O respiro viria em boa hora para os articuladores políticos.

A bancada evangélica, por exemplo, discute divulgar nas próximas semanas um manifesto de “independência” em relação ao governo. O grupo, um dos pilares da eleição do presidente Jair Bolsonaro, reclama da falta de diálogo e também de espaço na Esplanada. Os cargos disponíveis no MEC seriam suficientes para conter a onda de descontentes e desarmar aquelas que estão em formação.

Além da própria cadeira de Vélez, que não está garantido no cargo, a pasta tem extensa lista de postos que poderiam ser preenchidos com indicações de parlamentares. Estariam disponíveis, por exemplo, escritórios regionais do ministério instalados nos Estados. Há ainda o Instituto Benjamim Constant e o Instituto Nacional de Educação de Surdos, localizados no Rio e que poderiam atender especialmente a bancada fluminense.

Para completar, a Fundação Joaquim Nabuco, com mais de 200 postos, e a Capes, que cuida de bolsas de pesquisa na área de pós-graduação. Todo esse potencial para aplacar os ânimos tem sido colocado na balança para definir o destino de Vélez. Bombardeado por duas das três alas que integram sua equipe, o professor colombiano procurou na última semana realizar uma profunda mudança nos quadros do MEC para tentar recuperar a estabilidade.

Sete pessoas próximas foram exoneradas. As mudanças, no entanto, ocorreram num momento em que Vélez já estava com a credibilidade abalada, sem aliados no Palácio do Planalto, e não tiveram o efeito esperado. Vulnerabilidade que cresce com o apetite pelos cargos. Embora Bolsonaro tenha confirmado formalmente nesta semana a sua permanência no posto, o professor colombiano está abalado. Ele tem feito uso de remédios para depressão desde a repercussão negativa da declaração que deu à revista Veja, quando comparou viajantes brasileiros a canibais. Nesta semana, o ministro teve uma crise hipertensiva. Fonte: Estadão


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