Centrão vincula apoio nas eleições 2018 a cargos

Publicado em 11/07/2018 às 10:18h

Rodrigo Maia / Foto: Amanda Perobelli / Estadão

A menos de três meses das eleições 2018, o bloco formado por DEM, PP, Solidariedade e PRB começou a traçar a estratégia para manter influência no poder em 2019. Os quatro partidos que compõem o Centrão querem indicar não apenas o vice na chapa do candidato com quem fizerem aliança para a disputa ao Palácio do Planalto, mas também reconduzir o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) ao comando da Câmara e manter ministérios estratégicos ocupados no governo de Michel Temer.

O assunto não é tratado publicamente, mas faz parte de conversas reservadas nas negociações. Dirigentes do grupo se reúnem nesta quart-feira, 11, em um almoço na casa de Maia, na tentativa de “afunilar” as opções de apoio. Até agora, o Centrão – rebatizado de “blocão” – está mais inclinado a avalizar a pré-candidatura de Ciro Gomes (PDT).

Há, porém, resistências no DEM, uma vez que a maioria da bancada na Câmara prefere se aliar ao ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), além de dificuldades expostas pelo PRB, que não simpatiza com Ciro e flerta com o senador Alvaro Dias (Podemos). O PR se “desgarrou” do bloco porque negocia com Jair Bolsonaro (PSL), hoje líder nas pesquisas em um cenário sem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas foi convidado para o encontro desta quarta-feira.

Diante de tantas dúvidas, a escolha do Centrão será anunciada após a Copa, que termina neste domingo, 15. Enquanto o grupo tenta resolver divergências, no entanto, o loteamento dos ministérios entra no mercado eleitoral. Visto como a “noiva” dessas eleições, o “blocão” conta, hoje, com 124 deputados, que podem atuar como fiel da balança em qualquer votação. Além disso, tem para oferecer palanques regionais e o tempo de TV na propaganda eleitoral.

Se todos os partidos do grupo apoiarem o mesmo candidato, o dote será, na ponta do lápis, de 126 segundos. O PSC integra o grupo, mas não está participando de todas as reuniões. Na semana passada, um dirigente do PSDB afirmou ao Estado que Alckmin iria ao jantar com o Centrão, realizado na quarta-feira, 4, ouvir “o preço dos bois”. Embora dita em tom de brincadeira, a frase expressa o rumo da prosa política. Fonte: Estadão


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