‘Não vamos aceitar mansamente a prisão de Lula’, diz presidente do PT

Publicado em 13/03/2018 às 09:37h

Gleisi Hoffmann

A cúpula do PT já admite que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode ser preso antes da Páscoa, em 1.º de abril, e por isso decidiu intensificar a campanha para cobrar a reação dos militantes nas ruas. Ao abrir na tarde desta segunda-feira um seminário sobre segurança pública, a presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), disse que o partido irá com Lula “até as últimas consequências” e não aceitará de braços cruzados a prisão.

“Se eles querem trucar, nós vamos pagar para ver”, afirmou Gleisi. “Nós não vamos aceitar mansamente a prisão do Lula.” Logo em seguida, porém, a presidente do PT destacou que não estava pregando qualquer ofensiva violenta. Em janeiro, a senadora chegou a dizer que, para prender Lula, seria preciso “matar gente”. “Antes que me questionem, não estou falando aqui que vai ter revolução.

Mas a militância do nosso partido e os movimentos que sempre lutaram ao nosso lado não vão aceitar isso pacificamente”, insistiu a senadora. Gleisi criticou o que definiu como “inércia” do Supremo Tribunal Federal (STF) ao não analisar a legalidade de prisões nos casos de condenação em segunda instância antes de esgotados todos os recursos judiciais. “O que estão fazendo com Lula é uma coisa sem precedentes na história desse País e fere frontalmente a Constituição.

Agora, caminha-se para ela ser rasgada outra vez, pela inércia do Supremo de não decidir uma coisa que é vital para a sociedade, e não só para Lula”, atacou a presidente do PT. O Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4) deve julgar o recurso impetrado por Lula entre os dias 26 e 28 deste mês. O PT não tem qualquer expectativa de reverter ali a sentença que o condenou a 12 anos e um mês de prisão, no caso do triplex do Guarujá, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

No último dia 6, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou a concessão de habeas corpus preventivo pedido por advogados do ex-presidente para evitar a prisão dele. Diante desse cenário, a defesa do petista pede que o Supremo julgue com urgência ações que tramitam na Corte para garantir o argumento do princípio constitucional da presunção de inocência.

“Às vezes ouço dizerem que estamos pressionando o Supremo pelo julgamento. Não é pressão, mas o direito do presidente Lula ter resposta. Isso vale para qualquer cidadão. Esperamos que o Supremo faça isso para que possamos atravessar esse ano de 2018 com alguma normalidade democrática”, disse o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, coordenador do programa de governo de Lula.

A estratégia do PT ainda é a de registrar a candidatura de Lula à Presidência em 15 de agosto, último dia do prazo fixado pela Lei Eleitoral, mesmo que ele esteja preso. Nesse caso, o partido baterá na tecla de que o ex-presidente é um preso político. Fonte: Estadão


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