Temer planeja reforma ministerial nas próximas semanas

Publicado em 13/11/2017 às 09:46h

Michel Temer

O presidente Michel Temer deve tirar do papel, nas próximas semanas, a reforma ministerial. A informação é confirmada por fontes no Palácio do Planalto e por parlamentares do chamado Centrão, que pressionam por mais espaço no governo após a votação que arquivou a segunda denúncia contra o presidente na Câmara. A reportagem do Broadcast Político/Estadão apurou que Temer já comunicou interlocutores no Congresso sobre a intenção de redistribuir cargos em 15 dias.

Com as mudanças, o PSDB deve perder espaço, enquanto PMDB e PP podem ganhar novas cadeiras. A ideia inicial do presidente é reduzir o tamanho do PSDB pela metade, ou seja, dos quatro ministérios que detêm atualmente, os tucanos continuariam como dois. Sob forte pressão do PTB e do PP, Temer deve tirar Bruno Araújo (PSDB-PE) do Ministério das Cidades e Luislinda Valois (PSDB-BA) dos Direitos Humanos.

Antonio Imbassahy (PSDB-BA) também tende a perder a Secretaria de Governo, mas, como se tornou uma figura próxima do presidente, pode ser deslocado para outra pasta. O tucano sofre críticas de líderes governistas e está desgastado por não atender os pleitos da base. Já o ministro Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) deve continuar à frente do Itamaraty. Segundo um integrante da base governista, o objetivo do Palácio do Planalto é tornar a composição do governo proporcionalmente mais justa aos votos obtidos por cada partido em pleitos importantes.

O PSDB é visto como uma legenda que entrega menos do que outros partidos aliados ao governo. Com essa reestruturação dos cargos, Temer estaria preparando terreno para acabar com a insatisfação dos congressistas, visando a garantir unidade para uma possível votação da reforma da Previdência. “É uma decisão difícil para o presidente em função da lealdade de alguns tucanos. Mas essa decisão, pelo andar da carruagem, é cada dia que passa mais inevitável”, disse o vice-líder do PMDB na Câmara, deputado Carlos Marun (MS).

“Todos os partidos que estiveram conosco nessas disputas devem ser aproveitados em conformidade com o grau da sua lealdade. O índice de lealdade hoje passa pelo PMDB, PP, PSC… Uns tiveram mais e outros tiveram menos. Os que tiveram maior porcentual de lealdade devem ser mais valorizados”. Se confirmar a promessa feita ao Centrão, Temer corre o risco de deixar desgostosa parte do PSDB que vota com o governo num momento em que se articula a votação da reforma previdenciária. Uma fonte ligada ao Centrão lembra, no entanto, que o presidente não pode deixar de dar uma resposta ao PTB e PP, partidos que estão “jogando duro” com ele. Fonte: Estadão


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