Como Santos está há 22 rodadas no G-4 e parece sempre estar em crise

Publicado em 13/11/2017 às 09:06h

Terceiro lugar, disputa pelo título, ano de Libertadores e classificação para esta mesma competição já praticamente assegurada para o ano que vem. A temporada de 2017 do Santos é boa e muito comemorada pela sua torcida, certo? Por incrível que pareça, errado!

É bem verdade que o time da Vila Belmiro, que nesta segunda-feira enfrenta a Chapecoense, fora de casa, às 20h (de Brasília), está presente no G-4 há 22 rodadas consecutivas, desde que venceu o São Paulo, por 3 a 2, na 12ª rodada, mas a aparência é que o clube vive uma eterna crise.

 Veja abaixo uma relação dos fatos que marcaram o 2017 santista:

 

  • VEXAME NO PAULISTA

 O ano tinha tudo para ser bom, e o Santos era cotado como segunda ou até primeira força do estado, com a dúvida que pairava sobre o que poderia acontecer com Corinthians e São Paulo. Novas contratações, continuação do trabalho de Dorival Júnior, Libertadores... a torcida começou a temporada empolgada, mas logo tudo começou a degringolar.

Primeiro, derrota logo no primeiro clássico no ano, em casa, para o São Paulo, do recém-contratado como técnico Rogério Ceni, por 3 a 1. No jogo seguinte, mais um dolorido revés, desta vez para a Ferroviária, na mesma Vila Belmiro, por 1 a 0. A paciência do torcedor, mesmo que no início do ano, já acabara e os primeiros protestos aconteceram.

Mesmo que cambaleando, o Santos chegou com alguma folga nas quartas de final, mas parou na Ponte Preta, que mais tarde seria vice-campeã contra o Corinthians. Pior ainda: em um Pacaembu lotado com mais de 30 mil pessoas, nos pênaltis.

 

  • TROCA DE TÉCNICO, FUTEBOL RUIM E AS FOLGAS

Dorival Júnior acabou demitido do Santos logo na quarta rodada, após um péssimo início de Campeonato Brasileiro, O futebol ia de mal a pior, e a decisão foi pela chegada de um treinador mais experiente, que não se curva aos jogadores mais experientes e levaria o time a alçar voos mais altos. Chegou Levir Culpi.

O ex-treinador do Atlético-MG começou bem e teve bons resultados, levando o Santos até as quartas de final da Libertadores, após passar pelo Atlético-PR com duas vitórias.

O futebol, entretanto, era ruim e desorganizado. Não lembrava em nada o famoso DNA ofensivo ao qual a torcida sempre esteve acostumada. No segundo jogo das oitavas, na Vila, por exemplo, o "Furacão" dominou a partida por completo e mereceu a classificação. Bruno Henrique, sempre ele, salvou o time.

Os dias se passavam, os resultados e o rendimento começaram a não mais animar o torcedor e, para piorar, diversas folgas eram dadas por Levir ao elenco. Uma estatística mostrava que a cada cinco dias no Santos, um era de descanso.

"Os jogadores precisam de repouso. Se eles (diretoria) não concordam, que contratem um técnico que treina três vez por dia", disse Levir.

 

  • MAIS UM VEXAME: A LIBERTADORES

Quando o Santos foi ao Equador e de lá saiu com um empate em 1 a 1 contra o Barcelona, pelas quartas de final da Libertadores, a torcida alvinegra abraçou o time e lotou a Vila Belmiro para o jogo da volta. Afinal, um simples 0 a 0 levaria o Alvinegro à semifinal.

Como não teria Lucas Lima e Renato, que saíram machucados exatamente na partida de ida, Levir optou por colocar Vecchio (que voltava havia pouco de lesão e estava sem ritmo) e Leandro Donizete de titular. Este segundo, inclusive, é de longe o atleta mais contestado no Santos.

As apostas não deram certo e, sem sequer esboçar uma reação durante toda a partida, acabou derrotado em casa, com gol do uruguaio Jonathan Álvez, no segundo tempo. Com pouco tempo para reagir e empatar o jogo, foi eliminado em seus domínios. A situação começava a tornar-se insustentável.

 

  • (DES)DEMISSÃO, PROTESTO E LITÍGIO

Após o empate em 1 a 1 com o Sport, sofrido no final da partida, a torcida do Santos perdeu de vez a paciência e foi ao aeroporto para protestar contra o futebol ruim. Quem mais sofreu foi o lateral esquerdo Zeca, que viu integrantes da organizada o xingarem e gritarem à frente de sua cara.

Os muros da Vila Belmiro, inclusive, amanheceram pichados com ameaças ao camisa 37 e pedidos de saída e honra à camisa do meia Lucas Lima.

Chegando ao CT, foi-se divulgado que Levir Culpi havia sido demitido por Modesto Roma Júnior, mas, pouco tempo depois, ele anunciou que o treinador continuaria no cargo. Ele fez piada, os jogadores deram risada da imprensa, e Culpi seguiu no comando na vitória por 1 a 0 contra o Atlético-GO (em mais uma atuação fraca) e na derrota no clássico contra o São Paulo, por 2 a 1. Depois deste jogo, teve de vez seu contrato terminado e foi substituído por Elano.

Antes do dérbi contra o "Tricolor", o mesmo Zeca que havia sido ameaçado no aeroporto e por meio de pichações, entrou na justiça contra o Santos para pedir rescisão de seu contrato alegando atrasos nos depósitos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e direitos de imagem. Hoje, o jogador está afastado.

Já Lucas Lima, que recentemente completou 200 jogos com a camisa santista e foi homenageado pelo clube, ainda é titular, mas vem recebendo diversas críticas por suas atuações. Na derrota para o Vasco, na Vila Belmiro, ele deu assistência para gol de Ricardo Oliveira e provocou a própria torcida alvinegra. Seu contrato vai até o fim de dezembro, e ele ainda não respondeu ao Santos se o renovará ou não. 

Com o rival Palmeiras tornando-se seu destino cada vez mais provável, o desgaste de relação com o Santos fica ainda maior.

 

  • TORCIDA LARGOU?

Com todos os problemas e o ano sem empolgar, a torcida do Santos parece ter largado e agora deixa de comparecer à Vila Belmiro. Prova disso é a baixa média de público do time no Campeonato Brasileiro. Segundo números da Footstats, o time possui apenas a 13ª melhor média de público do torneio, com 12.793 torcedor por partida. Contra o Vasco, quando ainda sonhava em chegar no líder Corinthians, só 7.841 pessoas compareceram ao mítico estádio praiano.

FICHA TÉCNICA
CHAPECOENSE X SANTOS

Data: 13 de novembro de 2017, às 20h (de Brasília)
Local: Arena Condá, em Chapecó (SC)

Árbitro: Jaílson Macedo Freitas-BA
Auxiliar 1: Alessandro Rocha Matos-BA
Auxiliar 2: Elicarlos Franco de Oliveira-BA

CHAPECOENSE: Jandrei; Apodi, Luiz Otávio, Fabrício Bruno e Reinaldo; Amaral e Moisés Ribeiro; Luís Antônio, Canteros e Arthur Kayke; Wellington Paulista. Técnico: Gílson Kleina

SANTOS: Vanderlei; Daniel Guedes (Copete), Luiz Felipe, Lucas Veríssimo e Caju; Renato, Alison, Victor Ferraz e Lucas Lima; Arthur Gomes e Ricardo Oliveira. Técnico: Elano

Fonte: ESPN


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